quinta-feira, 29 de março de 2018

OPERACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL ATRAVÉS DO SISTEMA COLMEIA

Resumo
Será abordada a operacionalização do sistema de informação gerencial por meio da tecnologia da informação e comunicação através do Sistema Colmeia nos hospitais públicos e filantrópicos do Brasil. Além disso, será feita uma análise da funcionalidade do referido software.

Palavras-chave: Sistema de informação gerencial. Tecnologia da Informação e comunicação. Sistema Colmeia. Hospital público. Brasil.




1.    INTRODUÇÃO
Através de investigações, por meio de autores como Souza et al (2012), far-se-á uma breve análise de como é a utilização de softwares relacionados à administração hospitalar para integração dos setores operacionais e administrativos.   Além disso, será demonstrada a efetividade do sistema de informação gerencial na administração hospitalar.
 O Sistema Colmeia será abordado para a demonstração de como a tecnologia da informação e comunicação pode ser utilizada na operacionalização do que é proposto através do sistema de informação gerencial. Ainda, por meio de Seixas e Melo serão abordados os desafios na implantação do Sistema Colmeia, principalmente, nos hospitais públicos e filantrópicos brasileiros.
Por fim, será abordada a evolução do pensamento científico na administração para demonstrar como o sistema de informação gerencial contribui para a normatização de processos e efetividade dos serviços prestados. Ainda, o Sistema Colmeia é exemplificado para demonstrar a efetividade do software.
2.    A EFETIVIDADE DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL, ATRAVÉS DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, NAS INSTITUIÇÕES HOSPITALARES
Os hospitais possuem diversas áreas que compõem a estrutura deles. Por exemplo, existe o setor de faturamento, no setor administrativo; e pode haver o setor que faz os primeiros atendimentos aos pacientes poli traumatizados, na área operacional. Sendo assim, para que haja uma administração de excelência, é de extrema importância que possa existir uma comunicação dinâmica e consistente entre as partes que estão inseridas no organograma de determinado hospital. Souza et al (2012, p.20) ressalta ainda que:
Os hospitais são organizações complexas, sendo sua adequada gestão um grande desafio. Essa complexidade é oriunda da multiplicidade de serviços existentes no âmbito desse tipo de organização, os quais contribuem para o alcance dos fins a que essa instituição se propõe. Esse nível de complexidade pode ser ainda maior ou menor, de acordo com a disponibilidade de um produto que é indispensável para a gestão: a “informação”.
As instituições hospitalares públicas, ao possuírem um sistema de informação gerencial eficiente, através da tecnologia da informação e comunicação, auxiliam a toda população; já que o acesso à saúde é um direito garantido a todos os habitantes do Brasil pela Constituição Federal de 1988. Escrivão Júnior (2007, p. 656) afirma sobre o tema:
No contexto atual, intensifica-se a utilização de indicadores e informações para comparar as organizações de saúde, visando levá-las a níveis de superioridade e vantagem competitiva, por meio de referências (benchmarks) de processos, práticas ou medidas de desempenho.
Cresce também a exigência para que os serviços de saúde, tanto privados quanto da área pública, organizem-se de modo a responder às necessidades das pessoas e ofereçam um cuidado efetivo e humanizado, provendo todas as informações que o usuário necessita.
Percebe-se, então, que existe essa preocupação com a prestação de serviço de forma plena em uma visão contemporânea. Principalmente, nos hospitais públicos, uma qualidade efetiva é buscada. Não há mais a visão da ineficiência por parte da máquina pública. Guimarães e Évora (2004, p. 74) argumentam que:
No processo de trabalho, a tomada de decisão é considerada a função que caracteriza o desempenho da gerência. Independentemente do aspecto da decisão, esta atitude deve ser fruto de um processo sistematizado, que envolve o estudo do problema a partir de um levantamento de dados, produção de informação, estabelecimento de propostas de soluções, escolha da decisão, viabilização e implementação da decisão e análise dos resultados obtidos.
Para poder alcançar a excelência na prestação de serviços hospitalares, uma maneira de poder realizar isso é através do sistema de informação gerencial por meio da tecnologia da informação e comunicação. Sabe-se que, por exemplo, o Sistema Colmeia é capaz de integrar todas as partes dentro de um organograma hospitalar. Isso ocorre desde a parte operacional até a parte administrativa.


3.    UM BREVE PANORAMA DA UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NOS HOSPITAIS BRASILEIROS
Em pesquisa realizada por Souza et al (2012), evidenciou-se que, nos hospitais da região do médio-norte mato-grossense, a utilização da tecnologia da informação e comunicação, através de software, é mais delimitada aos setores administrativos. Todos os oito hospitais pesquisados, incluindo instituições de natureza pública, privada e filantrópica, utilizam softwares nos setores administrativos. Para a área de gestão de custos, somente um hospital privado utiliza um software específico para a temática.  Já o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) é utilizado em todos os hospitais de natureza privada. O PEP não está em uso em nenhum das instituições filantrópicas e é utilizado somente por um hospital público. Além disso, nesse hospital público, o PEP ainda funciona de forma experimental e não efetiva.
Ainda por meio da pesquisa feita por Souza et al (2012), notou-se que somente um hospital privado possui um setor responsável pela tecnologia da informação e comunicação. As demais instituições não possuíam um setor para lidar exclusivamente e diretamente com a questão.
Malik e Schiesari apud Souza et al (2012) argumentam que a tecnologia da informação e comunicação é presente no cotidiano da maioria das pessoas, então é evidente que, para ter-se um gerenciamento eficaz, se pressupõe a utilização da tecnologia da informação e comunicação, por meio da informática, no processo de gerenciamento. Além disso, para tomadas de decisão concisas, o sistema de informação gerencial é uma maneira eficiente e eficaz de auxílio ao gestor. Por tanto, vê-se que os hospitais, nesta amostragem através de pesquisa na região do médio-norte mato-grossense, não utilizam de forma integrada o sistema de informação gerencial através da tecnologia da informação e comunicação. A situação é ainda mais alarmante nas instituições públicas e filantrópicas.
Segundo Rodrigues Filho, Xavier e Adriano (2001, p.113):
Os dados do prontuário médico são freqüentemente ilegíveis, não acurados, fragmentados, incompletos, incompreensíveis para o paciente e seus familiares e, algumas vezes, excessivos ou redundantes. Nem sempre a documentação do prontuário é ordenada de forma lógica; a pobreza do seu formato impede uma utilização mais eficiente.
Por isso, Possari apud Souza et al (2012) ressalta, ainda, que o PEP garante excelência nos cuidados com os pacientes. Isso ocorre porque ele é capaz de garantir precisão nos dados e rapidez na comunicação.

4.    A COMPOSIÇÃO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL NO AMBIENTE HOSPITALAR
Rodrigues Filho, Xavier e Adriano (2001, p. 107) demonstram uma esquematização do sistema de informação gerencial em uma instituição hospitalar:
Figura 1: Sistema de informação em instituições hospitalares
Fonte: Rodrigues Filho, Xavier e Adriano (2001)

Vê-se que o prontuário médico é o centro dos dados a serem obtidos no processo do sistema de informação gerencial. O prontuário médico é alimentado por duas bases: gerência de pacientes e médico/técnico.  A primeira base é composta pelo registro de pacientes, arquivo médico e os sistemas clínicos médico e enfermagem. Além disso, nessa base, o prontuário serve, também, como subsídio de dados para realimentar essa parte do sistema. Isso acontece, pois um médico utilizará o que é descrito no dia anterior para poder observar as melhoras do paciente por exemplo. Já a base médico/técnico subsidia dados de laboratório, farmácia e radiologia para o prontuário médico.
Por sua vez, o prontuário médico alimenta outras duas bases: aplicações médicas e sistemas administrativos. Através das aplicações médicas, são transformados os dados dos prontuários em informações por meio de pesquisas médicas, sistema de apoio diagnóstico e referências bibliográficas. Enquanto isso, os dados obtidos nos prontuários médicos são transformados em informação, na base de sistemas administrativos, por meio de sistemas contábeis, almoxarifado geral, finanças e administração geral.
Percebe-se, então, que o sistema de informação gerencial permite uma integração plena do compartilhamento de dados nas diversas áreas de um hospital. Ressalta-se que, independentemente do tamanho da unidade hospitalar, é sempre possível utilizar o sistema de informação gerencial. Para utilizar o sistema de informação gerencial, através da tecnologia da informação e comunicação, Rodrigues Filho, Xavier e Adriano (2001, p. 108) demonstram que:
Um sistema de informação hospitalar integrado, como qualquer outro de área distinta, consiste em dois componentes: hardware e software. Contém diversos módulos ou subsistemas, dentro dos seguintes grupos funcionais: administração, gerenciamento de pacientes, aplicações médicas e sistema médico-técnico.
O hardware corresponde à parte física e o software ao virtual dentro da tecnologia da informação e comunicação. Observou-se, anteriormente, que todas as instituições pesquisadas por Souza et al (2012) possuíam hardware. A problemática estava no software, pois os hospitais ou não possuíam softwares ou eles não eram integrados entre si.  Essa deficiência ocorreu principalmente nos hospitais públicos e filantrópicos. Rodrigues Filho, Xavier e Adriano (2001) demonstram a possibilidade da realização de uma integração por meio de software. Além disso, confirma-se, por meio de Possari apud Souza et al (2012), que o prontuário eletrônico é a forma mais eficiente e consistente de obterem-se dados na administração hospitalar.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O feminismo não é um bicho de sete cabeças

O feminismo não é uma máquina de ódio contra os homens. Pelo contrário, o feminismo é um movimento para equiparação de direitos entre homens e mulheres. Segundo o Dicionário Michaelis Online, o feminismo é:

Movimento articulado na Europa, no século XIX, com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos sociais e políticos de ambos os sexos, por considerar que as mulheres são intrinsecamente iguais aos homens e devem ter acesso irrestrito às mesmas oportunidades destes. (Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/feminismo/)

Vamos descomplicar, então, através de algumas perguntas e respostas, esta palavra que foi eleita a do ano de 2017 pelo consagrado dicionário americano Merriam-Webster:

As feministas odeiam os homens e as outras mulheres que não se declaram feministas?

Não, claro que não. As feministas são filhas, esposas, mães, amigas... Ou seja, todos os tipos de mulheres. O objetivo de feminismo é obter igualdade em relação aos homens.

O que seria essa “igualdade”?

Quando um homem anda por uma rua durante a noite, qual é o maior medo dele? Talvez, ele tema ser assaltado. E qual é o maior medo das mulheres? Provavelmente, a maioria responderá uma única palavra: estupro. Percebem a diferença?! Claro que as mulheres também temem ser assaltadas, mas raramente um homem teme ser estuprado. O estupro é um tipo de violência, em maior parte, feito contra as mulheres. E é um medo constante. Essa é uma das igualdades que as feministas desejam: andar nas ruas como os homens, sem medo de sofrer um estupro.

Mas as mulheres, às vezes, praticam algumas coisas que incentivam o estupro, como utilizar saias curtas?

Não, JAMAIS! Pense nisto: se um homem anda sem camisa na rua, ele está pedindo para ser estuprado? Claro que NÃO! A mulher quer essa mesma igualdade: andar de saia curta sem ser assediada. Percebeu? Mais uma vez, o que as feministas querem é a IGUALDADE.

As feministas são contras as mulheres que escolhem não trabalhar para cuidar do próprio lar?

Não, de forma alguma! Olhem bem a palavra “ESCOLHEM”. Se foi uma escolha consciente e livre de pressões, os desejos de todas as mulheres devem ser respeitados. O feminismo é contra a obrigação de uma mulher casar, ter filhos, não desejar uma carreira profissional e outros aspectos.

Além disso, exemplifique outras lutas feministas.

·         Obter a mesma remuneração pelo mesmo trabalho feito por homens (nosso suor tem o mesmo valor);

·         Não sofrer mais violência doméstica. É raro vermos casos de homens que são agredidos, humilhados e mortos pelas companheiras. Mais uma vez, não há igualdade entre gêneros nas relações interpessoais;

·         E outros aspectos que envolvam igualdade de gênero.

O que é sororidade?

É o apoio entre mulheres. Isso significa respeitar as escolhas de outras mulheres sem realizar julgamentos. Por exemplo, quando uma mulher vê outra de saia curta, e não julga a vestimenta da outra, isso é sororidade. Quando uma mulher vê outra que frequenta cultos religiosos, e não julga a religiosidade e a fé da outra, isso é sororidade. Quando uma mulher ajuda outra que sofre violência doméstica, isso é sororidade. Soriridade é o não julgamento, é ajudar outra mulher. Juntas somos mais fortes!


O feminismo, obviamente, abrange muitas outras características e lutas além do que foi exposto. Este texto foi uma forma didática de desmistificar possíveis ideias contraditórias sobre o tema. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Resenha do livro "Contos e encontros piratas"

Com uma narrativa fluida e ágil, “Contos e encontros piratas”, do autor Leonardo Henrique Galvão, não decepciona quem gosta de aventura. No livro, há 12 contos sobre as diversas faces do universo pirata. Dentre eles, podem-se destacar “A Sereia”; “O Tesouro de Netuno”; e “Do Fundo do Mar (os braços da morte)”.

Em “A Sereia”, as mitológicas criaturas são retratadas de uma forma, de certa maneira, sem tendência para a vilania. O final do enredo é o que surpreende o leitor. No conto “O Tesouro de Netuno”, existem referências à mitologia grega. Isso traz consistência para a narrativa, pois leva a ideia de pirataria para além do período das Grandes Navegações (entre os séculos XV e XVIII). Por sua vez, no conto “Do Fundo do Mar (os braços da morte)”, vê-se o uso de uma escrita bem humorada e que pode até arrancar algumas risadas dos leitores mais irônicos e sarcásticos.


Se o leitor comparar “Contos e encontros piratas” com obras estrangeiras pertencentes, também, à temática aventura, lançadas recentemente no mercado mundial, verá o quanto a literatura brasileira está bem representada por esta trabalho. O que se pode sentir um pouco de falta é a participação de mais protagonistas mulheres; porém isso não desmerece a excelência do livro. Outro ponto de destaque é a representatividade da geografia e história brasileiras durante a ambientação dos fatos. O livro é uma ótima opção para quem gosta de desbravar novos horizontes.


domingo, 4 de junho de 2017

BARROCO MINEIRO: a resistência da identidade cultural brasileira frente à europeia através da pintura do teto da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto - MG

Resumo
            A pesquisa sobre a resistência da identidade cultural brasileira, através da pintura de teto de Mestre Ataíde, é de extrema importância para a divulgação e difusão das artes brasileiras. Mesmo em pesquisas nacionais, o número de trabalhos acadêmicos sobre a arte brasileira é inferior à arte estrangeira. Em nenhum outro lugar as formas, cores e feições das pinturas são iguais às de Minas Gerais. Pesquisar sobre arte brasileira, em especial a mineira, é falar sobre um assunto único. De forma geral, objetiva-se: demonstrar como a identidade cultural brasileira resistiu ao colonialismo. De maneira específica, os objetivos são: revisar a bibliografia de História da Arte em E.H. Gombrich para embasar o conceito do período barroco; comparar as obras de Mestre Ataíde e a de Peter Paul Rubens para demonstrar as diferenças entre barroco mineiro e europeu; analisar formas, cores e posicionamentos na pintura de teto da Igreja de São Francisco de Assis; e estabelecer a ligação dos dados coletados a partir dos itens anteriores com a obra “Ideias filosóficas no barroco mineiro”, de Joel Neves para caracterizar a identidade cultural brasileira na pintura de Ataíde. O método de abordagem da pesquisa será dedutivo.
Palavras chave: Barroco mineiro, Mestre Ataíde, Cultura brasileira

Introdução
            Como a identidade cultural brasileira resistiu através da arte durante o período colonial em especial através da pintura de teto da Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto – MG)?
Podem-se levar em conta algumas possíveis respostas para o questionamento:
Essa identidade cultural pode surgir através das relações familiares de Mestre Ataíde;
Por meio da religiosidade de Mestre Ataíde;
A pesquisa a ser feita irá difundir os aspectos de formação da arte brasileira e dará visibilidade a um tema que não recebe a devida ênfase atualmente. Para a sociedade brasileira, essa pesquisa é uma forma de relatar como e o que forma a nossa cultura e faz dela algo inigualável no mundo.
O colonialismo europeu pode ser representado pela imposição  de  um estilo artístico e todos os seus parâmetros. Incluindo, nisso, os traços do povo europeu; as cores que compõem as artes visuais e que por sua vez representam a expressão do povo europeu; e a forma como as personagens são retratadas nesse período da arte, o barroco. Ou seja, a simbolização do povo europeu é divergente do brasileiro, pois, no Brasil, a maioria da população é negra. Durante o barroco, os próprios pintores fabricavam as tintas que utilizavam. Para isso, usavam elementos da própria natureza que os cercavam. No Brasil, diferentemente das terras rodeadas por florestas temperadas, existem muitos materiais naturais em cores mais diversas que podem ser utilizados para a fabricação de tintas. Por exemplo, o urucum, pigmento vermelho em tom vibrante, é originário das Américas e serve naturalmente para dar cor. Então, nesta pesquisa será demonstrada a resistência da cultura brasileira (por meio dos traços das feições do povo brasileiro e das cores presentes na natureza do Brasil) frente à cultura europeia. Deve-se ter em vista que pelo Brasil ter sido colônia de Portugal, os artistas brasileiros deviam fazer a arte conforme os padrões estabelecidos pelo país dominante. As personagens deveriam ter a pele clara e a fisionomia mais delicada. Assim, não havia uma liberdade maior para a criação de arte puramente brasileira. Por isso, ao investigar a obra de Mestre Ataíde, percebe-se que os aspectos já citados da cultura brasileira, traços, cores e formas foram mantidos na obra ao invés de realizar uma reprodução mais fiel da arte europeia.
Em geral, pessoas estrangeiras estudam o barroco e tem uma visão congelada de como a arte desse período aconteceu. Porém, quando os estrangeiros veem o barroco de Minas Gerais, eles dizem que é uma arte única no mundo. Em nenhum outro lugar as formas, cores e feições das pinturas são iguais aos de Minas Gerais. Ou seja, pesquisar sobre arte brasileira, em especial a mineira, é falar sobre um assunto único.
Em um âmbito pessoal, pesquisar sobre esse tema significa dar visibilidade para a arte do local em que nasceu já que a pesquisadora  é mineira. Já em relação ao ponto de vista acadêmico, o tema proposto possui pesquisas realizadas, porém não são tão específicas sobre a arte de Mestre Ataíde. Então, esse seria um tema que possui referencial bibliográfico e ao mesmo tempo não é tão abordado em outras pesquisas. Ou seja, seria uma pesquisa mais pioneira na área, contribuindo assim de maneira significativa ao mundo acadêmico.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

LITERATURA FANTÁSTICA E BULLYING: convívio social nos anos finais do Ensino Fundamental

Vanessa Rodrigues Rabelo¹
Mírian Lúcia Brandão Mendes²

Graduada do Curso de Letras do Centro Universitário Newton Paiva e especialista em História da Arte pelo Centro Universitário Claretiano
 ² Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais
Texto publicado, também, na revista científica "Pós em revista". Acesse em: http://blog.newtonpaiva.br/pos/edicao-10-2/

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo investigar como a Literatura Fantástica pode contribuir no combate ao bullying. Para tal, serão feitas pesquisas bibliográficas sobre o assunto além da elaboração de propostas de redação com a intenção de auxiliar o professor de Língua Portuguesa na prevenção do bullying. A definição de Literatura Fantástica será baseada nos textos de Tzvetan Todorov e Northrop Frye. Já a abordagem sobre os livros enquadrados nesse conteúdo literário explorara textos de J.K. Rowling, Katherine Paterson e Graciliano Ramos.


Palavras chave: bullying, educação, Literatura Fantástica, Língua Portuguesa

  
ABSTRACT: This study aims to investigate how the Fantastic Literature can contribute to the fight against bullying. To this end, bibliographic research on the subject will be made beyond the elaboration of proposals writing with the intention of assisting the teacher of Portuguese Language in bullying  prevention. The definition of Fantastic Literature will be based on texts Tzvetan Todorov and Northrop Frye. The approach squarely on the books that explored literary content texts of JK Rowling, Katherine Paterson and Graciliano Ramos.


Key-words: bullying, education, Fantastic Literature, Portuguese Language


INTRODUÇÃO


O bullying é um problema social frequente nas salas de aula  brasileiras. Através da Literatura Fantástica, observa-se uma forma de diminuir tal questão. Neste trabalho, será abordada a relação existente entre esse conteúdo da literatura e a prática do bullying.



Segundo pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2012), 20,8% dos estudantes brasileiros entrevistados afirmaram que praticaram bullying contra algum colega em pelo menos 30 dias antes da pesquisa ser realizada. Na mesma pesquisa, é dito que 7,2% dos alunos afirmam que sofreram bullying por parte dos outros estudantes.

Algo que é preciso enfatizar é que as propostas para a leitura em cada período letivo não devem ser resumidas à Literatura Fantástica. Esse tipo de literatura é o que pode apresentar mais eficácia para ajudar o combate ao bullying, mas deve ser demonstrada para o aluno juntamente com outros tipos na série em que ele está. Por exemplo, sugere-se a leitura de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carol; para alunos da quinta série ou sexto ano, mas nesse período eles devem ler obras com conteúdo didático também, ou seja, que acrescentaram em seu conhecimento de cultura literária.


1. O QUE É A LITERATURA FANTÁSTICA



A Literatura Fantástica é uma variedade literária, na qual as obras são analisadas a partir do ponto de vista da fantasia. Segundo Tzvetan Todorov (1968, p.5),

A expressão “literatura fantástica” se refere a  uma variedade da literatura ou, como se diz normalmente, a um gênero literário. O exame de obras literárias do ponto de vista de um gênero é uma empreitada muito particular.


Dentre as diversas classificações para essa variedade, será trabalhada uma obra uma que foi exposta por Northrop Frye (1957). Nela, a classificação dos “modos de ficção”, que tratam as relações do herói com a natureza e os leitores. São cinco classificações:

1.    “O mito” - O herói é superior, de forma natural, tanto às leis da natureza quanto ao próprio leitor. 
2.    “Lenda ou conto de fadas” O herói é superior, quanto ao grau, em relação à natureza e ao leitor.
3.    “Mimético elevado” – O herói é superior, quanto ao grau, quanto ao leitor mas não em relação às leis da natureza.
4.    “Mimético baixo” O herói está em igualdade com o leitor e as leis da natureza.
5.    “Ironia”- O herói é inferiorizado em comparação com o leitor. Segundo Todorov (1968, p.15):
Em um mundo que é o nosso, que conhecemos, sem  diabos, sílfides, nem vampiros se produz um acontecimento impossível de explicar pelas leis desse mesmo mundo familiar. Que percebe o acontecimento deve optar por uma das duas soluções possíveis: ou se trata de uma ilusão dos sentidos, de um produto de imaginação, e as leis do mundo seguem sendo o que são, ou o acontecimento se produziu realmente, é parte integrante da realidade, e então esta realidade está regida por leis que desconhecemos.


Ele ainda diz que a Literatura Fantástica situa-se nessa incerteza. Um exemplo que pode caracterizar isso é o livro “A ponte para Terabítia”, de Katherin Peterson, uma vez que, durante o enredo, a personagem Leslie faz parecer que conhece um mundo diferente do habitual, no qual existem criaturas fantásticas. Jess, o outro personagem principal, em certos momentos fica em dúvida se realmente acontece algo sobrenatural, mas ao decorrer do livro, principalmente no final, é possível perceber que ele acreditava no mundo real, diferentemente de Leslie. Na Literatura Brasileira, há também outros exemplos como em “Antes do Baile Verde”, de Lygia Fagundes Telles, em o conto “A Caçada”. Nessas obras, analisando pela Literatura Fantástica, há uma fuga da realidade, pois o personagem principal se como o animal caçado, que é retratado em uma tapeçaria.



2.  UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA LITERATURA FANTÁSTICA



Tanto em prosa quanto em verso, a Literatura Fantástica esteve presente desde o princípio da história da humanidade. Seja através de a “Ilíada” de Homero, ou de “Alice no País das Maravilhas”, de C.S.Lewis. Passou por Willian Shakespeare, em “Sonho de uma noite de verão”, durante o Classicismo. Durante o Romantismo, há o aparecimento da temática do horror, com Álvares de Azevedo, em “Noite na taverna”; com os modernistas, no cenário internacional, é escrito por Aldous Huxley a obra “Admirável mundo novo”, marcando a temática de ficção científica, e em âmbito nacional existia o antropofagismo cultural, representado na literatura fantástica, por Raul Bopp, em “Cobra Norato”. As Tendências Contemporâneas contribuíram ainda mais para o avanço da Literatura Fantástica.

No século VIII a.C, é atribuída a Homero, a obra “Ilíada”. É uma poesia épica, considerada o marco inicial da literatura ocidental. A temática trata de acontecimentos durante o último ano da Guerra de Troia. Pode ser considerada como Literatura Fantástica, pois o seu personagem principal, Aquiles, é filho de uma deusa com um humano. Considerando a religiosidade da época, era algo verossímil, mas se olharmos com uma visão atual, essa obra foi marcante para a construção da Literatura Fantástica nas épocas posteriores. O texto torna-se “mimético elevado”, pois Aquiles é superior em grau em relação ao leitor, mas não a natureza, quanto ao grau.

O Classicismo retoma as manifestações artísticas da antiguidade. Durante meados dos anos de 1500, Willian Shakespeare escreve “Sonho de uma noite de verão”, em formato de peça teatral, na qual há a presença de elfos, fadas e espíritos. Considerando o enredo, é possível analisá-lo através da Literatura Fantástica.

durante o Romantismo, o surgimento da temática do horror, dentro da Literatura Fantástica. O expoente na Literatura Brasileira é o livro “Noite na Taverna”, de Álvares de Azevedo. Muito influenciado por Lord Byron, a obra retrata temáticas como a morte e o sobrenatural.

Huxley, em “Admirável mundo novo”, prevê a existência de um mundo moderno tecnicamente. Considerando que foi escrito em 1932, o que o autor descreve, mesmo  já  sendo possível  de  se fazer atualmente, foi  importantíssimo para temática de ficção científica. No livro, o futuro em que vivemos é descrito em diversas partes. Já no Modernismo Brasileiro, o autor Raul Bopp é expoente no antropofagismo cultural. Em “Cobra Norato”, o personagem principal passa por uma aventura no interior do Brasil, onde encontra seres como a Iara  e o Boiúna, seres encantados do folclore nacional.

Em tempos de pós-modernidade e tendências contemporâneas, algumas obras do século XIX e XX foram redescobertas pelos jovens, principalmente com ajuda das adaptações cinematográficas. É o caso da trilogia de “O Senhor dos Anéis”, de J.R.Tolkein; os seis livros de “As Crônicas de Nárnia”, de C.S.Lewis;“Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carol; e “Drácula”, de BramStoker. Esses autores e suas obras influenciaram outros de nossa época. J.K.Rowling, autora da saga de livros mais vendida no mundo, “Harry Potter, diz que foi fortemente influenciada pela obra de C.SLwis. É perceptível alusões a “Alice no país das maravilhas” em diversas produções e “Drácula” foi o expoente na literatura vampiresca.