domingo, 4 de junho de 2017

BARROCO MINEIRO: a resistência da identidade cultural brasileira frente à europeia através da pintura do teto da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto - MG

Resumo
            A pesquisa sobre a resistência da identidade cultural brasileira, através da pintura de teto de Mestre Ataíde, é de extrema importância para a divulgação e difusão das artes brasileiras. Mesmo em pesquisas nacionais, o número de trabalhos acadêmicos sobre a arte brasileira é inferior à arte estrangeira. Em nenhum outro lugar as formas, cores e feições das pinturas são iguais às de Minas Gerais. Pesquisar sobre arte brasileira, em especial a mineira, é falar sobre um assunto único. De forma geral, objetiva-se: demonstrar como a identidade cultural brasileira resistiu ao colonialismo. De maneira específica, os objetivos são: revisar a bibliografia de História da Arte em E.H. Gombrich para embasar o conceito do período barroco; comparar as obras de Mestre Ataíde e a de Peter Paul Rubens para demonstrar as diferenças entre barroco mineiro e europeu; analisar formas, cores e posicionamentos na pintura de teto da Igreja de São Francisco de Assis; e estabelecer a ligação dos dados coletados a partir dos itens anteriores com a obra “Ideias filosóficas no barroco mineiro”, de Joel Neves para caracterizar a identidade cultural brasileira na pintura de Ataíde. O método de abordagem da pesquisa será dedutivo.
Palavras chave: Barroco mineiro, Mestre Ataíde, Cultura brasileira

Introdução
            Como a identidade cultural brasileira resistiu através da arte durante o período colonial em especial através da pintura de teto da Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto – MG)?
Podem-se levar em conta algumas possíveis respostas para o questionamento:
Essa identidade cultural pode surgir através das relações familiares de Mestre Ataíde;
Por meio da religiosidade de Mestre Ataíde;
A pesquisa a ser feita irá difundir os aspectos de formação da arte brasileira e dará visibilidade a um tema que não recebe a devida ênfase atualmente. Para a sociedade brasileira, essa pesquisa é uma forma de relatar como e o que forma a nossa cultura e faz dela algo inigualável no mundo.
O colonialismo europeu pode ser representado pela imposição  de  um estilo artístico e todos os seus parâmetros. Incluindo, nisso, os traços do povo europeu; as cores que compõem as artes visuais e que por sua vez representam a expressão do povo europeu; e a forma como as personagens são retratadas nesse período da arte, o barroco. Ou seja, a simbolização do povo europeu é divergente do brasileiro, pois, no Brasil, a maioria da população é negra. Durante o barroco, os próprios pintores fabricavam as tintas que utilizavam. Para isso, usavam elementos da própria natureza que os cercavam. No Brasil, diferentemente das terras rodeadas por florestas temperadas, existem muitos materiais naturais em cores mais diversas que podem ser utilizados para a fabricação de tintas. Por exemplo, o urucum, pigmento vermelho em tom vibrante, é originário das Américas e serve naturalmente para dar cor. Então, nesta pesquisa será demonstrada a resistência da cultura brasileira (por meio dos traços das feições do povo brasileiro e das cores presentes na natureza do Brasil) frente à cultura europeia. Deve-se ter em vista que pelo Brasil ter sido colônia de Portugal, os artistas brasileiros deviam fazer a arte conforme os padrões estabelecidos pelo país dominante. As personagens deveriam ter a pele clara e a fisionomia mais delicada. Assim, não havia uma liberdade maior para a criação de arte puramente brasileira. Por isso, ao investigar a obra de Mestre Ataíde, percebe-se que os aspectos já citados da cultura brasileira, traços, cores e formas foram mantidos na obra ao invés de realizar uma reprodução mais fiel da arte europeia.
Em geral, pessoas estrangeiras estudam o barroco e tem uma visão congelada de como a arte desse período aconteceu. Porém, quando os estrangeiros veem o barroco de Minas Gerais, eles dizem que é uma arte única no mundo. Em nenhum outro lugar as formas, cores e feições das pinturas são iguais aos de Minas Gerais. Ou seja, pesquisar sobre arte brasileira, em especial a mineira, é falar sobre um assunto único.
Em um âmbito pessoal, pesquisar sobre esse tema significa dar visibilidade para a arte do local em que nasceu já que a pesquisadora  é mineira. Já em relação ao ponto de vista acadêmico, o tema proposto possui pesquisas realizadas, porém não são tão específicas sobre a arte de Mestre Ataíde. Então, esse seria um tema que possui referencial bibliográfico e ao mesmo tempo não é tão abordado em outras pesquisas. Ou seja, seria uma pesquisa mais pioneira na área, contribuindo assim de maneira significativa ao mundo acadêmico.

domingo, 14 de maio de 2017

Resenha do texto "O projeto éticopolítico do serviço social", de Joaquina Barata Teixeira e Marcelo Braz

Joaquina Barata Teixeira, Professora Adjunta da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Marcelo Braz, Professor Adjunto da Escola de Serviço Social (UFRJ), demonstram como o projeto ético-político do assistente social desenvolveu-se em uma visão teórica e histórica no Brasil. Através do texto analisado, “O projeto ético­político do Serviço Social”, é possível observar que, na esfera sócio-humana do ser desenvolvido ao longo da história, o trabalho é a atividade principal permeada, porém, por uma gama de “esferas de objetivação”; ou seja, tarefas ligadas à arte, política, entre outras.  A partir disso, percebe-se, então, o espaço de práticas pertencentes à práxis humana de forma histórica.
Para os autores, toda a práxis humana tem fundamentação prático-material através da transformação da natureza por meio do trabalho resultando em necessidades para a manutenção da materialidade sócio-humana. Ainda, são citadas pelos autores duas formas de práxis: a primeira refere-se à capacidade do homem em transformação da natureza; já a segunda, que é diretamente relacionada ao trabalho, liga-se ao conceito de influência do comportamento humano.
Sendo assim, as práxis possibilitam formulações individuais e coletivas. Segundo os autores, no campo do Serviço social, na área das ideias e/ou práticas, os profissionais devem visar o desenvolvimento e orientação sócio-humana do indivíduo de forma coletiva. Com a junção das diversas proposições (contrárias e convergentes) dos assistentes sociais, surge, logo, o projeto societário.
O projeto de uma sociedade, chamado de projeto societário, interfere diretamente no projeto ético-político de uma profissão. Na sociedade contemporânea capitalista, o antagonismo entre proletariado e o grupo dominante, burguesia, refletem a interferência na luta de classes. Sendo assim, incidem diretamente na práxis do assistente social.
No Brasil, de acordo com os autores, o projeto ético-político do Serviço Social é ligado ao viés transformador e não ao conservador. O certame do projeto ético-político social é garantir a liberdade como núcleo do objetivo profissional em uma sociedade de desigualdades sociais, culturais e de gêneros. Ademais, o referido projeto norteia a visibilidade que determinada profissão irá proporcionar como resposta para a sociedade.
Alguns elementos são determinantes na formação do projeto ético-político do Serviço Social. Fomentação de conhecimento e a dimensão legislativa são exemplos disso. Apesar do que é exposto pelos autores, nem sempre o projeto ético-político é executado em plenitude. Isso ocorre porque a teoria é objetiva e a prática subjetiva. Portanto, observa o antagonismo presente no ofício do assistente social e austeridade da sociedade capitalista contemporânea.
Em 1979, houve o marco da preconização de novas medidas da luta de classe através do pensamento crítico dos profissionais de Serviço Social por meio III  CBAS. Nele, substituíram-se agentes da ditadura por líderes de movimentos sociais durante o congresso que ficou conhecido como “Congresso da Virada”. Já em 1986, houve a publicação do primeiro Código de Ética da classe profissional através do Conselho Federal de Assistentes Sociais. Na década de 1990, o desafio foi lidar com a onda neoliberalista dos governos vigentes. Nesse tipo de governança, o objetivo é a baixa oferta de empregos para que a população esteja vulnerável à vontade da casse burguesa opressora.

A partir do que é exposto, nota-se que o papel do assistente social não é está à beira da “caridade”. Deve-se atuar de forma pautada pelo projeto ético-político. O principal objetivo deste é a garantia de liberdade para o indivíduo que de alguma forma encontra-se em situação de desigualdade. Ou seja, podem-se exemplificar o que é dito através da garantia de diretos às mulheres (que são historicamente oprimidas pelo machismo); à garantia de acesso à educação para a população mais pobre; à garantia de igualdade ao acesso à saúde para a população menos favorecida economicamente; entre outras exemplificações.

REFERÊNCIA

BRAZ, Marcelo; TEIXEIRA, Joaquina Barata. O projeto éticopolítico do serviço social. Brasília: Cfess/abepss, 2009. Disponível em: <http://www.abepss.org.br/arquivos/anexos/teixeira-joaquina-barata_-braz-marcelo-201608060407431902860.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2017. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

LITERATURA FANTÁSTICA E BULLYING: convívio social nos anos finais do Ensino Fundamental

Vanessa Rodrigues Rabelo¹
Mírian Lúcia Brandão Mendes²

Graduada do Curso de Letras do Centro Universitário Newton Paiva e especialista em História da Arte pelo Centro Universitário Claretiano
 ² Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais
Texto publicado, também, na revista científica "Pós em revista". Acesse em: http://blog.newtonpaiva.br/pos/edicao-10-2/

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo investigar como a Literatura Fantástica pode contribuir no combate ao bullying. Para tal, serão feitas pesquisas bibliográficas sobre o assunto além da elaboração de propostas de redação com a intenção de auxiliar o professor de Língua Portuguesa na prevenção do bullying. A definição de Literatura Fantástica será baseada nos textos de Tzvetan Todorov e Northrop Frye. Já a abordagem sobre os livros enquadrados nesse conteúdo literário explorara textos de J.K. Rowling, Katherine Paterson e Graciliano Ramos.


Palavras chave: bullying, educação, Literatura Fantástica, Língua Portuguesa

  
ABSTRACT: This study aims to investigate how the Fantastic Literature can contribute to the fight against bullying. To this end, bibliographic research on the subject will be made beyond the elaboration of proposals writing with the intention of assisting the teacher of Portuguese Language in bullying  prevention. The definition of Fantastic Literature will be based on texts Tzvetan Todorov and Northrop Frye. The approach squarely on the books that explored literary content texts of JK Rowling, Katherine Paterson and Graciliano Ramos.


Key-words: bullying, education, Fantastic Literature, Portuguese Language


INTRODUÇÃO


O bullying é um problema social frequente nas salas de aula  brasileiras. Através da Literatura Fantástica, observa-se uma forma de diminuir tal questão. Neste trabalho, será abordada a relação existente entre esse conteúdo da literatura e a prática do bullying.



Segundo pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2012), 20,8% dos estudantes brasileiros entrevistados afirmaram que praticaram bullying contra algum colega em pelo menos 30 dias antes da pesquisa ser realizada. Na mesma pesquisa, é dito que 7,2% dos alunos afirmam que sofreram bullying por parte dos outros estudantes.

Algo que é preciso enfatizar é que as propostas para a leitura em cada período letivo não devem ser resumidas à Literatura Fantástica. Esse tipo de literatura é o que pode apresentar mais eficácia para ajudar o combate ao bullying, mas deve ser demonstrada para o aluno juntamente com outros tipos na série em que ele está. Por exemplo, sugere-se a leitura de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carol; para alunos da quinta série ou sexto ano, mas nesse período eles devem ler obras com conteúdo didático também, ou seja, que acrescentaram em seu conhecimento de cultura literária.


1. O QUE É A LITERATURA FANTÁSTICA



A Literatura Fantástica é uma variedade literária, na qual as obras são analisadas a partir do ponto de vista da fantasia. Segundo Tzvetan Todorov (1968, p.5),

A expressão “literatura fantástica” se refere a  uma variedade da literatura ou, como se diz normalmente, a um gênero literário. O exame de obras literárias do ponto de vista de um gênero é uma empreitada muito particular.


Dentre as diversas classificações para essa variedade, será trabalhada uma obra uma que foi exposta por Northrop Frye (1957). Nela, a classificação dos “modos de ficção”, que tratam as relações do herói com a natureza e os leitores. São cinco classificações:

1.    “O mito” - O herói é superior, de forma natural, tanto às leis da natureza quanto ao próprio leitor. 
2.    “Lenda ou conto de fadas” O herói é superior, quanto ao grau, em relação à natureza e ao leitor.
3.    “Mimético elevado” – O herói é superior, quanto ao grau, quanto ao leitor mas não em relação às leis da natureza.
4.    “Mimético baixo” O herói está em igualdade com o leitor e as leis da natureza.
5.    “Ironia”- O herói é inferiorizado em comparação com o leitor. Segundo Todorov (1968, p.15):
Em um mundo que é o nosso, que conhecemos, sem  diabos, sílfides, nem vampiros se produz um acontecimento impossível de explicar pelas leis desse mesmo mundo familiar. Que percebe o acontecimento deve optar por uma das duas soluções possíveis: ou se trata de uma ilusão dos sentidos, de um produto de imaginação, e as leis do mundo seguem sendo o que são, ou o acontecimento se produziu realmente, é parte integrante da realidade, e então esta realidade está regida por leis que desconhecemos.


Ele ainda diz que a Literatura Fantástica situa-se nessa incerteza. Um exemplo que pode caracterizar isso é o livro “A ponte para Terabítia”, de Katherin Peterson, uma vez que, durante o enredo, a personagem Leslie faz parecer que conhece um mundo diferente do habitual, no qual existem criaturas fantásticas. Jess, o outro personagem principal, em certos momentos fica em dúvida se realmente acontece algo sobrenatural, mas ao decorrer do livro, principalmente no final, é possível perceber que ele acreditava no mundo real, diferentemente de Leslie. Na Literatura Brasileira, há também outros exemplos como em “Antes do Baile Verde”, de Lygia Fagundes Telles, em o conto “A Caçada”. Nessas obras, analisando pela Literatura Fantástica, há uma fuga da realidade, pois o personagem principal se como o animal caçado, que é retratado em uma tapeçaria.



2.  UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA LITERATURA FANTÁSTICA



Tanto em prosa quanto em verso, a Literatura Fantástica esteve presente desde o princípio da história da humanidade. Seja através de a “Ilíada” de Homero, ou de “Alice no País das Maravilhas”, de C.S.Lewis. Passou por Willian Shakespeare, em “Sonho de uma noite de verão”, durante o Classicismo. Durante o Romantismo, há o aparecimento da temática do horror, com Álvares de Azevedo, em “Noite na taverna”; com os modernistas, no cenário internacional, é escrito por Aldous Huxley a obra “Admirável mundo novo”, marcando a temática de ficção científica, e em âmbito nacional existia o antropofagismo cultural, representado na literatura fantástica, por Raul Bopp, em “Cobra Norato”. As Tendências Contemporâneas contribuíram ainda mais para o avanço da Literatura Fantástica.

No século VIII a.C, é atribuída a Homero, a obra “Ilíada”. É uma poesia épica, considerada o marco inicial da literatura ocidental. A temática trata de acontecimentos durante o último ano da Guerra de Troia. Pode ser considerada como Literatura Fantástica, pois o seu personagem principal, Aquiles, é filho de uma deusa com um humano. Considerando a religiosidade da época, era algo verossímil, mas se olharmos com uma visão atual, essa obra foi marcante para a construção da Literatura Fantástica nas épocas posteriores. O texto torna-se “mimético elevado”, pois Aquiles é superior em grau em relação ao leitor, mas não a natureza, quanto ao grau.

O Classicismo retoma as manifestações artísticas da antiguidade. Durante meados dos anos de 1500, Willian Shakespeare escreve “Sonho de uma noite de verão”, em formato de peça teatral, na qual há a presença de elfos, fadas e espíritos. Considerando o enredo, é possível analisá-lo através da Literatura Fantástica.

durante o Romantismo, o surgimento da temática do horror, dentro da Literatura Fantástica. O expoente na Literatura Brasileira é o livro “Noite na Taverna”, de Álvares de Azevedo. Muito influenciado por Lord Byron, a obra retrata temáticas como a morte e o sobrenatural.

Huxley, em “Admirável mundo novo”, prevê a existência de um mundo moderno tecnicamente. Considerando que foi escrito em 1932, o que o autor descreve, mesmo  já  sendo possível  de  se fazer atualmente, foi  importantíssimo para temática de ficção científica. No livro, o futuro em que vivemos é descrito em diversas partes. Já no Modernismo Brasileiro, o autor Raul Bopp é expoente no antropofagismo cultural. Em “Cobra Norato”, o personagem principal passa por uma aventura no interior do Brasil, onde encontra seres como a Iara  e o Boiúna, seres encantados do folclore nacional.

Em tempos de pós-modernidade e tendências contemporâneas, algumas obras do século XIX e XX foram redescobertas pelos jovens, principalmente com ajuda das adaptações cinematográficas. É o caso da trilogia de “O Senhor dos Anéis”, de J.R.Tolkein; os seis livros de “As Crônicas de Nárnia”, de C.S.Lewis;“Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carol; e “Drácula”, de BramStoker. Esses autores e suas obras influenciaram outros de nossa época. J.K.Rowling, autora da saga de livros mais vendida no mundo, “Harry Potter, diz que foi fortemente influenciada pela obra de C.SLwis. É perceptível alusões a “Alice no país das maravilhas” em diversas produções e “Drácula” foi o expoente na literatura vampiresca.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A formação sócio histórica do Brasil

O Brasil firmou-se como nação durante o Primeiro Império. Um fato que marcou esse processo foi a Independência do Brasil proclamada por D. Pedro I em 7 de setembro de 1822. De acordo com Oliveira (2012), as tensões, que deram início do rompimento do Brasil com a Coroa Portuguesa, iniciaram com as divergências entre os conservadores e liberalistas na então colônia. Por um lado, a corrente conservadora pretendia manter o foco da produção agrária e escravocrata, já os liberais visavam à industrialização como futuro produto de consumo e exportação brasileiro.
Anteriormente a essa tensão, o Brasil foi uma colônia diferente das outras presentes na América Latina, África e Ásia. Com a vida da Família Real portuguesa para o país, em 1808, segundo Oliveira (2012), por causa dos avanços do império napoleônico sobre a Europa, algumas melhorias ocorreram em solos tupiniquins. Por exemplo, a criação das primeiras universidades, a fundação da imprensa e o surgimento da Biblioteca Nacional foram melhoras possíveis porque a elite dominante europeia agora vivia aqui.
Voltando aos confrontos de ideias entre conservadores e liberais, a Inglaterra teve um papel importante para a constituição do Brasil como nação. Já no Segundo Império, era objetivo dela que a escravidão não existisse, pois, se não houvesse mais escravos, as pessoas libertas seriam um mercado consumidor para a indústria que ali surgia conforme Oliveira (2012). Sendo assim, o Brasil já independente de Portugal desde 1822; no Segundo Império, declarava-se a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888.

Os povos indígenas nativos do Brasil; os negros da África trazidos como escravos; e os europeus, principalmente o povo português, foram os principais formadores da população brasileira durante o período colonial. Sobre a identidade nacional brasileira, Fiorini (2009, p. 117) demonstra que:
O Brasil representou uma das primeiras experiências bem-sucedidas de criar uma nação fora da Europa. A nação é vista como uma comunidade de destino, acima das classes, acima das regiões, acima das raças. Para isso, é preciso adquirir uma consciência de unidade, a identidade, e, ao mesmo tempo, é necessário ter consciência da diferença em relação aos outros, a alteridade.
Atualmente, a identidade nacional brasileira é firmada através do respeito aos credos, diferenças entre povos e igualdade entre toda a população através da Constituição Federal de 1988. Por exemplo, nessa legislação, é prevista a livre manifestação de cultos religiosos. Logo, manifestações religiosas tanto cristãs quanto de matriz africanas são de livre prática no Brasil. Com isso, há a garantia do respeito em relação à religiosidade dos povos que constituíram a formação da identidade nacional brasileira.
Ao longo da história brasileira, nem sempre as diferenças foram respeitadas para a concretização da identidade nacional. Por exemplo, segundo Oliveira (2012), os quilombos eram formas de resistência do povo negro contra a escravidão imposta pela elite dominante. Além disso, mesmo em ocorrências como a Inconfidência Mineira, de acordo com Oliveira (2012), havia o objetivo da emancipação da colônia brasileira em relação à Coroa Portuguesa, mas nisso não estava incluso o fim da escravidão. Sendo assim, existiram lutas de classe, étnicas, dos direitos da mulher, entre outras para constituir-se uma identidade nacional que consiste na ideia de unidade entre a população de um país como é visto o conceito através de Fiorini (2009).

A filosofia é vista como a busca pela sabedoria. Em um sentido estrito da palavra, é o “amor” pelo conhecimento. Dessa forma, conhecer a formação histórica do Brasil, por meio de uma perspectiva filosófica, é fomentar questionamentos sobre como ocorreu essa construção de unidade tendo em vista as diferentes culturas, povos e classes em um país tão diversificado.
Por exemplo, compreender porque, mesmo com as garantias previstas na Constituição Federal de 1988, no sentido de que todos os brasileiros são iguais perante a lei, ainda existem casos de racismo de forma frequente no Brasil. Com isso, reler a história da formação nacional brasileira em uma perspectiva filosófica permite o questionamento para questões como a que foi citada anteriormente.
Por fim, conclui-se que o Brasil formou-se como nação a partir da proclamação da independência. Já a identidade nacional construiu-se ao longo da história por meio de lutas de classe, étnicas, dentre outras. A filosofia é um instrumento facilitador no questionamento do que pôde provocar problemas sociais que existem ainda na atualidade brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

FIORIN, José Luiz. A construção da identidade nacional brasileira. BAKHTINIANA, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 115-126, 1o sem. 2009.
Link: http://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana/article/viewFile/3002/1933


OLIVEIRA, Dennison de. História do Brasil: política e economia. (livro eletrônico). Curitiba: Intersaberes, 2012. – Disponível no ambiente virtual ÚNICO.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Análise do texto “Evolução histórica do conceito de cidadania e a Declaração Universal dos Direitos do Homem”, de Getúlio Costa Melo

INTRODUÇÃO
Através deste trabalho, será feita uma síntese do texto “Evolução histórica do conceito de cidadania e a Declaração Universal dos Direitos do Homem”, de Getúlio Costa Melo. O texto em questão aborda de forma objetiva a evolução dos conceitos dos termos “cidadania” e “direitos humanos” em uma perspectiva do desenvolvimento da história da humanidade.
Além disso, far-se-á uma breve análise crítica de com os conceitos previamente compreendidos sobre “cidadania” e “direitos humanos”. Também, será feita uma ligação dessa análise com o papel do profissional de Serviço Social.
DESENVOLVIMENTO
Por meio do texto analisado, percebe-se que o conceito de “cidadania” não é o mesmo no decorrer da história da humanidade. Se antes a cidadania era o direito a participar da vida política de uma sociedade por meio dos cidadãos, que eram representados por homens livres de determinadas classes sociais e naturais da localidade, houve uma mudança de conceituação a partir da percepção de que direitos básicos deveriam ser garantidos para que os cidadãos pudessem exercer papel na vida política de uma sociedade. Até mesmo a definição de quem são considerados cidadãos transformou-se com o decorrer da evolução da humanidade.
Na Grécia Antiga e no Império Romano, os cidadãos eram apenas os homens nascidos livres, de classes sociais mais altas e naturais das regiões em que habitavam. Na Idade Média, a ideia de cidadania é vista como secundária, pois a visão religiosa, teocentrismo, é colocada como o foco daquela sociedade. Com a formação dos Estados ao final da Baixa Idade Média e início da Idade Moderna, ressurge a ideia de cidadania oriunda da Grécia Antiga. Posteriormente, já por meio de pensadores iluministas como Locke e Rousseau, percebeu-se que existia a diferença entre o direito visto por meio da religiosidade e o direito expresso através da razão. Através de Rousseau, principalmente, começou-se a compreender que, para a execução da cidadania através dos cidadãos, eram necessárias algumas garantias básicas para esses cidadãos. As ideias iluministas influenciaram muitos movimentos da época como a Revolução Francesa e a Revolução Americana.
A partir das duas Guerras Mundiais, percebeu-se a necessidade de garantir direitos essenciais para que as populações pudessem participar de forma efetiva da vida cidadã das cidades em geral. Esses direitos essenciais são traçados pela Organização das Nações Unidas (ONU) através da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Podem-se citar como exemplo o acesso à educação e à saúde. O conceito de cidadão também sofreu alterações, pois, na maioria dos países ocidentais, pessoas de todas as classes sociais e as mulheres passaram a ter o diretor de votar.
No Brasil, por meio da Constituição Federal de 1988, foram garantidos os direitos básicos para os que aqui vivem. Apesar de cidadãos serem considerados aqueles que podem participar da vida política do país, os direitos humanos são extensíveis a todos que habitam o Brasil. Um exemplo disso, citado pelo autor, é o direito previsto para as crianças. Elas não podem, ainda, participar da política brasileira, mas tem direitos humanos garantidos pela Constituição Federal de 1988 como o acesso à educação e à saúde como cita o autor do texto analisado Getúlio Costa Melo.
CONCLUSÃO
Conclui-se, então, que a ideia de cidadania é anterior à conceituação de direitos humanos. Com o desenvolver das civilizações na história da humanidade, percebeu-se que havia a necessidade da definição de direitos básicos, que podem ser definidos atualmente como os direitos humanos, para que aqueles considerados cidadãos possam exercer a cidadania e que sejam o mínimo para o bem estar de toda a população. Além disso, observou-se, também, que apesar de movimentos como a Revolução Francesa terem sido fomentados pela burguesia, essas manifestações foram importantes para as conquistas de classes mais pobres. Isso ocorreu porque os ideais, por exemplo, da Revolução Francesa, “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, compreendem uma visão de direitos essenciais para toda a população de uma sociedade.
 O Assistente Social trabalha com a orientação e verificação de garantias de direitos para as populações que são de alguma forma vulneráveis. Sendo assim, é extremamente relevante que o profissional de Serviço Social observe, no dia-a-dia, se os direitos humanos observados pela Constituição Federal de 1988 do Brasil são atendidos de forma plena para os cidadãos, pessoas que podem participar da vida política, e os não cidadãos, as crianças são um exemplo, para que cidadania não fique comprometida pelas leis não atingirem de forma a beneficiar a todos que aqui habitam. Os estrangeiros em trânsito pelo Brasil, por exemplo, têm direito a atendimento médico quando necessário mesmo que eles não sejam considerados cidadãos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MELO, Getúlio Costa. Evolução histórica do conceito de cidadania e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=13959>. Acesso em: 01 ago. 2016.