terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Cibernética e contestação

Cyberpunk é um termo que surgiu através da literatura de ficção científica.  Em sua origem, na década de 1980, ele representava a quebra da utopia gerada pela cibernética. Nessa época, surgiram os primeiros computadores pessoais, lançados pela IBM nos Estados Unidos. O sucesso foi estrondoso, e uma grande expectativa era gerada em cima dessa nova tecnologia acessível agora à população – antes disso, somente os militares tinham acesso à tecnologia cibernética.

Naquele tempo, o mundo passava pela Guerra Fria; pelas disputas indiretas entre os Estados Unidos e a União Soviética. A sociedade daquele momento acreditava que a cibernética poderia mudar o momento político e social pelo qual passavam. Mas, quando finalmente puderam utilizar tal recurso, perceberam que mudar a realidade não era algo tão fácil.



A realidade virtual é algo sempre presente no universo cyberpunk. (Foto: Reprodução)

Início através da literatura

A primeira vez em que o termo foi usado foi em 1833, pelo escritor Bruce Bethke, ao nomear um conto de ficção científica com o nome Cyberpunk. A partir disso, o termo começou a difundir-se nos círculos literários. Os cenários das histórias desse tipo de ficção eram ambientados em realidades virtuais com alta tecnologia.

Uma expressão muito associada ao cyberpunk é “High tech, low life”, que em tradução livre significa “Alta tecnologia, pouca vida”. Essa é outra característica desse subgênero de ficção científica. A vida é algo que se torna escassa, enquanto que a tecnologia torna-se cada vez mais avançada. Geralmente, grandes corporações financeiras são as dominantes da sociedade, o Estado ocupa uma posição secundária. Os heróis das histórias, na maioria das vezes, são hackers à margem da lei, que, indignados com os rumos impostos pelas empresas detentoras de capital, usam a cibernética para protestar.

Alguns exemplos de livros Cyberpunk são Neuromancer, de William Gibson, e Pequeno Irmão, de Cory Doctorow. No primeiro, é narrada a saga de um ex-hacker chamado Case. Ele está impossibilitado de exercer a profissão e penetrar no cyberespaço. Desolado com a vida que levava, acaba drogado, desempregado e sem perspectivas de futuro. Tudo parece que mudará quando conhece Molly, a única que lhe poderá ajudar. Nesse instante, começa a parte intensa do enredo. O segundo livro conta a história de um adolescente, Marcus, que tenta mudar a realidade em que vive usando a internet. No universo desse livro, todos vivem em constante pressão feita pelo governo. Ele também é hacker, e o mais interessante sobre essa obra é que o autor dela disponibilizou o livro gratuitamente na rede. Queria que a ideia cyberpunk estivesse presente também na veiculação do seu trabalho.

A realidade virtual é um elemento sempre presente nesse subgênero. Nela, as personagens podem interferir muitas vezes na realidade. Esse outro mundo é uma distopia do que seria ideal, ou seja, não é o universo perfeito e idealizado. O ideal cyberpunk foi tornando-se cada vez mais difundido e encontrou outras mídias fora da literatura. Além disso, tribos urbanas underground aderiram aos ideais passados pelos livros.



Há muitas referências a radioatividade nesse subgênero. (Foto: Reprodução). 

Cyberpunk no cinema

Evidentemente, o que vem à memória ao falarmos de cyberpunk e cinema é a trilogia Matrix(1999).  O jovem Thomas A. Anderson possui dupla função, ora é um simples programador, ora é um experiente hacker conhecido como Neo. Porém, a vida dele muda de rumo ao descobrir algo chamado de Matrix. Ele sempre tinha pesadelos, nos quais estava conectado a cabos, fios e computadores. Quando finalmente os cabos penetrariam em sua mente, ele acordava. Ao encontrar-se com Morpheus e Tinity, descobre que toda a humanidade estava conectada à Matrix, enquanto os corpos eram usados para gerar energia. Morpheus acredita que Neo é o escolhido para mudar essa situação.

O filme foi dirigido pelos irmãos Wachowskis e possui uma das maiores bilheterias do cinema, além de ter ganhado vários prêmios. A estética da obra caracteriza bem o cyberpunk. Tubos, fios, computadores e tecnologia avançada caracterizam esse subgênero.

Existem também outros filmes com elementos cyberpunk, esse é o caso do clássico RoboCop e de Torn e Hackers – Ladrões de Vidas.

Games cyberpunks

Esse é um tema muito abrangente no universo cyberpunk. Muitos são os games com essa temática, e há também produções independentes feitas por anônimos. Outros são adaptações de livros e filmes, como é o caso de Neuromancer. Outro grande destaque é o Dystopia.

Dystopia foi criado por desenvolvedores independentes e distribuido gratuitamente pela internet. Como é dito pelos próprios criadores, o jogo é uma distorção cyberpunk criada a partir do jogo Half Life 2. O jogador é ambientado em situações de combate em um mundo de alta tecnologia. Sendo punk ou das Forças de Segurança, o gamer lutará para ter acesso aos terminais que proporcionam a entrada em um ciberespaço. Nesse espaço, devem-se lançar programas para invadir os sitemas ligados ao mundo físico enquanto luta contra hackers inimigos. É um game multiplayer lançado em 2008 e ainda em atividade.



Cidade distópica, isto é, fora da realidade ideal. (Foto: Reprodução)

Música

Do rock ao pop, passando pela música eletrônica, existem várisa referências cyberpunk no universo musical. O estilo conta com canções com intervenções eletrônicas e letras que criticam o capitalismo exarcebado, a censura contra a imprensa e as ditaduras estatais. Exemplo disso é a banda Daft Punk. A dupla francesa de música eletrônica possui um visual que faz referências ao cyberpunk. Na canção Technologic a letra se refere aos pontos criticados pelo idealismo dessa cultura, e o clipe possui visual da tecnologia distópica.


Tribo urbana

As pessoas que aderem ao movimento cyberpunk têm os ideais voltados para a preocupação com a alta tecnologia e as consequências disso na sociedade contemporânea. Mas não pense que eles não gostam de cibernética, pelo contrário, são profundos admiradores do assunto, porém, preocupam-se com sua utilização e usufruem dela para protestos. O visual vai a dois extremos. Alguns utilizam roupas extravagantes com referências à tecnologia e cibernética, outros se vestem discretamente, através do estereótipo geek.


Mais do que apens um subgênero de ficcção científica, o cyberpunk tem preocupação social com a tecnologia e cibernética. Como a sociedade global a cada dia reiventa as utilidades tecnológicas, essa cultura abrange-se e modifica-se também.

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