segunda-feira, 18 de março de 2013

Estruturalismo, gerativismo e funcionalismo.


A linguística tem como foco o estudo da língua. Para fazer tal análise, existem diferentes correntes de estudo. São elas: Estruturalismo, Gerativismo e Funcionalismo.
Cada uma delas apresenta visões diferentes sobre como estudar a língua. Todas são importantes para os estudos linguísticos. A seguir, veremos os conceitos delas, um pouco sobre a origem e como contribuíram para os estudos linguísticos.

1.0Estruturalismo
O estruturalismo, na linguística, é a análise da língua através de estruturas e sistemas. Tem origem em “Curso de Linguística Geral”, de Ferdinand Saussure, no ano de 1916. Segundo Saussure, toda língua deve ser observada como um sistema, sendo que, os elementos dela devem ser avaliados através de equivalência ou oposição. Isso pode ser avaliado através das dicotomias criadas pelo estudioso. Nessa corrente linguística, não existe parte mais importante. O que há são análises de partes relativas a um todo maior.
"a língua não é um conglomerado de elementos heterogêneos; é um sistema articulado, onde tudo está ligado, onde tudo é solidário e onde cada elemento tira seu valor de sua posição estrutural" (SAUSSURE apud LEROY, 1971, p. 109).
Aspectos negativos do estruturalismo:
·         O corpus é o objeto final do estudo, desconsiderando o falante.
·         Como utiliza um método mecanizado, não leva em consideração fatos riquíssimos da língua.
·         Não considera a contextualização e as relações reais de comunicação do interlocutor.
Aspectos positivos do estruturalismo.
·         Através das dicotomias, houve grande avanço dos estudos linguísticos.
·         Trouxe a ideia de que o falante pode construir frases infinitamente.
2.0 Gerativismo
Em 1957, NoamChomsky publicou “Estruturas Sintáticas”. Foi criada em resposta ao modelo behaviorista que acreditava na língua como uma resposta aos estímulos da interação social. Já os gerativistas, acreditavam que a linguagem é um fenômeno interno do falante, ou seja, é uma capacidade geneticamente possibilitada. Segundo a teoria gerativista, a língua é uma estrutura profunda que através das regras transforma-se em superficial. Essas regras permanecem entre superficiais e profundas também.
A Gramática Gerativista analisa as frases gramaticais pertencentes a uma língua. Um número sem limites das regras cria uma infinidade de sequências. Ela passa a ser explicativa e não só demonstrativa.
"o papel do gerativismo no seio da lingüística é constituir um modelo teórico capaz de descrever e explicar a natureza e o funcionamento dessa faculdade, o que significa procurar compreender um dos aspectos mais importantes da mente humana." (KENEDY, 2008, p. 129).
3.0 Funcionalismo
Surgiu através dos ideais estruturalistas. Fortemente estabelecido por André Martinet, ganhou muita força na França. O linguista manteve forte contato com a Escola Linguística de Praga, originada em 1926. Uniu ideias de Saussure e do psicólogo Karl Büher. Foi influenciado por vários linguistas, porém, o que mais destaca é Wilhelm Mathesius. Ele influenciou fortemente a criação da Perspectiva Funcional da Sentença.
Sendo menos teórica e mais concreta, era mais fácil de fazer análise. Leva em consideração toda a situação comunicativa. As funções da linguagem criadas por Jakobson, outra forte nome dessa corrente, foram de extrema importância para o estudo das línguas. As que mais recebem destaque: referencial, emotiva, conotativa, fática, metalinguística e poética.
Ao contrário do formalismo, observa as frequentes mudanças da linguagem, o significado e o uso das formas linguísticas nas situações da comunicação. Desconsidera a homogenia da língua e a oposição sincronia/diacronia. Para os funcionalistas, a criação do sentido é o que origina a comunicação. Mesmo assim, é considerado um movimento dentro do estruturalismo.
"A linguagem não é simples emissão de sons, nem simples sistema convencional, como quer um certo positivismo, nem tampouco tradução imperfeita do pensamento, vestimenta de idéias mudas e verdadeiras como a concebe um pensamento idealista. Pelo contrário, é criação de sentido, encarnação de significação e, como tal, ela dá origem à comunicação (LEITE. 1997. p.22-23).
4.0 Importância das correntes linguísticas para o estudo da língua.
O estruturalismo de Saussure rompeu com os estudos linguísticos anteriores a ele. Isso possibilitou que os estudiosos criassem os próprios métodos de análise da língua através dos instrumentos criados pelos linguistas. Isso aconteceu com o funcionalismo, que foi possível graças aos subsídios intelectuais fornecidos pelo estruturalismo.
O funcionalismo deu ao estudo da língua a ideia de elucidação das palavras. Compreende-las a partir de uma visão do conceito significativo gerada pela palavra passou a ser o foco dessa corrente linguística.
Chomsky uniu o estudo da língua com a mente humana. Para ele, compreender os pensamentos humanos ajuda a entender melhor cada língua. Contribuindo profundamente para o estabelecimento do gerativismo. Uniu o estudo da psicologia com a língua.
As três correntes linguísticas, oriundas na modernidade, foram importantes para a compreensão da linguagem. Complementando-se ou opondo-se cada corrente foi de extrema contribuição para a humanidade.

Bibliografia

KENEDY, E. Gerativismo. In: Mário Eduardo Toscano Martelotta. (Org.). In.: Manual de lingüística. São Paulo: Contexto, 2008, v. 1, p. 127-140. 

LEITE, L. C. de M. Gramática e Literatura: desencontros e esperanças. São Paulo: Editora Ática, 1997.

LEROY, M. As grandes correntes da linguística moderna. Rio de Janeiro: Cultrix, 1971.




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