sexta-feira, 4 de julho de 2014

Dê-me suas asas borboleta - Um pouco sobre o livro e entrevista com a autora


Livro: Dê-me suas asas borboleta

Autora: Marlei Mendes

Sinopse: “Májila Tufik estava prometida em casamento ao árabe Jahed Jirah, mas ela não queria tolher sua liberdade para se unir a um homem tirano, apegado às leis muçulmanas. Como para o amor não existem barreiras culturais, religiosas ou sociais, eles se apaixonam.Porém, um capricho do destino fará com que a família dele queira destruí-la, por causa de um segredo do passado.”

Confira o livro gratuitamente no linK: http://www.bookess.com/read/18637-de-me-suas-asas-borboleta

Poderia ser apenas um romance que retrata a cultura oriental. Porém, o que torna “Dê-me suas assas borboleta” um livro magnífico é a forte e contestadora presença da protagonista, Májila Tufik. Ela é filha de islâmicos sauditas. E, mesmo tendo sido criada no islamismo, contesta a forma como a mulher é tratada. Podemos dizer que essa contestação acontece não somente em uma esfera voltada para o oriente. Acima de tudo, após a leitura do livro, passamos a contestar a nossa própria realidade ocidental.

O livro é cercado por muitas aventuras e reviravoltas. Não há como prever as situações pelas quais a protagonista será levada. Desde beduínos no deserto até fugas para a Amazônia. Isso torna a leitura muito interessante, pois, o leitor torna-se curioso para saber os rumos que enredo levará.

Os conflitos familiares estão presentes em todo momento. O pai do prometido Jahed Jirah é muito mais do que alguém que não aceita a nora. Um grande segredo cerca as famílias Jirah e Tufik. Relações de amor e ódio em uma junção dos dois clãs.

Jahed Jirah é um homem obediente ao pai, como prega o islã. A única coisa que o faz cair em pecado é o sentimento dele por Májila. Ele é uma pessoa madura e de personalidade rígida. E, isso começa a mudar pelo o que sente pela prometida.

Májila não aceita casar com um homem por obrigação. Muito menos ser submissa a alguém. Ela contesta a posição da mulher segundo as tradições islâmicas. Não consegue aceitar a opinião e vontade dela não serem aceitas.

A seguir uma pequena entrevista com a autora do livro, Marlei Mendes:

1 – Qual foi a sua inspiração para escrever “Dê-me suas asas borboleta”?

R.: Inspirei-me na atual condição da mulher brasileira, que apesar da evolução e da igualdade de gênero, ainda continua sob o jugo de uma sociedade patriarcal.

2- A personagem Májila contesta muito o islã. Apesar de ser uma religião e cultura oriental, você acha que a situação como a mulher é tratada em nossa sociedade também precisa de mudanças?

R.: Acho sim. Como citei acima, a mulher brasileira continua sob o jugo da sociedade patriarcal, voltada aos interesses do homem. Ainda que ela tenha conquistado seu lugar no mercado profissional, que tenha liberdade sexual e que possa decidir se quer abortar ou não, ela ainda continua sendo morta, humilhada e sofrendo flagelos impostos pela tirania masculina.

3- De homem submisso ao pai, ele passa a ter uma ardente paixão por Májila. Como você pensou nos atos do Jahed?

R.: Sempre parto da premissa de que o amor pode qualquer coisa, que ele tem um poder indefectível para mudar pessoas e situações.É uma visão romântica, eu sei, mas é nisso que acredito.Foi daí que tirei a transformação de Jahed, que por ser um homem oprimido e infeliz, vê na rebeldia de Májila um dispositivo para mudar uma situação desconfortável, mas que não tinha forças para romper com as convenções impostas pelo pai e pela religião.

4- A personagem Amina é retratada como esposa obediente ao Hassan. Elá é o oposto de Májila. Apesar disso, Amina consegue enxergar as atitudes através das verdadeiras intenções. Como foi imaginar essa personagem?

R.: Amina surgiu com esse propósito, não só mostrar um comportamento oposto ao de Májila, mas sim que ainda existem mulheres que cedem à tirania masculina e são felizes, e eu particularmente, acho isso válido, a partir do momento que essa mulher escolheu isso, e que essa condição não lhe tenha sido imposta.

5 – Sem fazer grandes revelações sobre o final, que convenhamos ninguém espera pelo que acontece, você acha que proteger a filha despertou uma força inimaginável dentro de Májila?

R.: Com certeza, o amor de uma mãe é uma verdade universal, é incontestável. Májila já havia sofrido tanto para ver nascer a filha, e não a perderia para a tirania e a opressão religiosa que o Islã impõe sobre as mulheres.

6 – Se quiser, diga algo mais para os leitores sobre a sua obra.    

R.: Bem, quando comecei a escrever “Dê-me suas asas borboleta”, eu queria mostrar que até a rigidez do Islamismo podia ser vencida através do verdadeiro amor. Sabemos que o homem árabe é extremamente misógino, e ver um filho da Arábia ceder aos apelos de um coração que até então ele desconhecia ter, foi muito gratificante. Quiçá, todos os homens escravos do machismo decadente se rendessem, e pudessem experimentar a liberdade do primeiro voo com as asas de um grande amor.


Um abraço literário a todos!!

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