sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A formação sócio histórica do Brasil

O Brasil firmou-se como nação durante o Primeiro Império. Um fato que marcou esse processo foi a Independência do Brasil proclamada por D. Pedro I em 7 de setembro de 1822. De acordo com Oliveira (2012), as tensões, que deram início do rompimento do Brasil com a Coroa Portuguesa, iniciaram com as divergências entre os conservadores e liberalistas na então colônia. Por um lado, a corrente conservadora pretendia manter o foco da produção agrária e escravocrata, já os liberais visavam à industrialização como futuro produto de consumo e exportação brasileiro.
Anteriormente a essa tensão, o Brasil foi uma colônia diferente das outras presentes na América Latina, África e Ásia. Com a vida da Família Real portuguesa para o país, em 1808, segundo Oliveira (2012), por causa dos avanços do império napoleônico sobre a Europa, algumas melhorias ocorreram em solos tupiniquins. Por exemplo, a criação das primeiras universidades, a fundação da imprensa e o surgimento da Biblioteca Nacional foram melhoras possíveis porque a elite dominante europeia agora vivia aqui.
Voltando aos confrontos de ideias entre conservadores e liberais, a Inglaterra teve um papel importante para a constituição do Brasil como nação. Já no Segundo Império, era objetivo dela que a escravidão não existisse, pois, se não houvesse mais escravos, as pessoas libertas seriam um mercado consumidor para a indústria que ali surgia conforme Oliveira (2012). Sendo assim, o Brasil já independente de Portugal desde 1822; no Segundo Império, declarava-se a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888.

Os povos indígenas nativos do Brasil; os negros da África trazidos como escravos; e os europeus, principalmente o povo português, foram os principais formadores da população brasileira durante o período colonial. Sobre a identidade nacional brasileira, Fiorini (2009, p. 117) demonstra que:
O Brasil representou uma das primeiras experiências bem-sucedidas de criar uma nação fora da Europa. A nação é vista como uma comunidade de destino, acima das classes, acima das regiões, acima das raças. Para isso, é preciso adquirir uma consciência de unidade, a identidade, e, ao mesmo tempo, é necessário ter consciência da diferença em relação aos outros, a alteridade.
Atualmente, a identidade nacional brasileira é firmada através do respeito aos credos, diferenças entre povos e igualdade entre toda a população através da Constituição Federal de 1988. Por exemplo, nessa legislação, é prevista a livre manifestação de cultos religiosos. Logo, manifestações religiosas tanto cristãs quanto de matriz africanas são de livre prática no Brasil. Com isso, há a garantia do respeito em relação à religiosidade dos povos que constituíram a formação da identidade nacional brasileira.
Ao longo da história brasileira, nem sempre as diferenças foram respeitadas para a concretização da identidade nacional. Por exemplo, segundo Oliveira (2012), os quilombos eram formas de resistência do povo negro contra a escravidão imposta pela elite dominante. Além disso, mesmo em ocorrências como a Inconfidência Mineira, de acordo com Oliveira (2012), havia o objetivo da emancipação da colônia brasileira em relação à Coroa Portuguesa, mas nisso não estava incluso o fim da escravidão. Sendo assim, existiram lutas de classe, étnicas, dos direitos da mulher, entre outras para constituir-se uma identidade nacional que consiste na ideia de unidade entre a população de um país como é visto o conceito através de Fiorini (2009).

A filosofia é vista como a busca pela sabedoria. Em um sentido estrito da palavra, é o “amor” pelo conhecimento. Dessa forma, conhecer a formação histórica do Brasil, por meio de uma perspectiva filosófica, é fomentar questionamentos sobre como ocorreu essa construção de unidade tendo em vista as diferentes culturas, povos e classes em um país tão diversificado.
Por exemplo, compreender porque, mesmo com as garantias previstas na Constituição Federal de 1988, no sentido de que todos os brasileiros são iguais perante a lei, ainda existem casos de racismo de forma frequente no Brasil. Com isso, reler a história da formação nacional brasileira em uma perspectiva filosófica permite o questionamento para questões como a que foi citada anteriormente.
Por fim, conclui-se que o Brasil formou-se como nação a partir da proclamação da independência. Já a identidade nacional construiu-se ao longo da história por meio de lutas de classe, étnicas, dentre outras. A filosofia é um instrumento facilitador no questionamento do que pôde provocar problemas sociais que existem ainda na atualidade brasileira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

FIORIN, José Luiz. A construção da identidade nacional brasileira. BAKHTINIANA, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 115-126, 1o sem. 2009.
Link: http://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana/article/viewFile/3002/1933


OLIVEIRA, Dennison de. História do Brasil: política e economia. (livro eletrônico). Curitiba: Intersaberes, 2012. – Disponível no ambiente virtual ÚNICO.

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